'Ele é anti ser humano. É tudo que precisa ser varrido da face da terra', diz Haddad sobre Bolsonaro
Resistência foi a palavra mais usada pelos artistas, intelectuais, juristas, acadêmicos, líderes religiosos e até representantes de torcidas uniformizadas que participaram do "Ato da Virada" em favor do candidato do PT à Presidência nas eleições 2018, Fernando Haddad, na noite desta segunda-feira, 22, no Tuca, em São Paulo.
Sem conseguir formar a grande frente em defesa da democracia com políticos de partidos adversários do PT no segundo turno, a sigla transformou o evento no Tuca, palco de atos políticos marcantes contra a ditadura militar nos anos 70 e 80, em um encontro com os diversos setores da sociedade civil que se uniram contra Jair Bolsonaro (PSL).
A palavra resistência foi usada logo na abertura do ato por Guilherme Boulos, candidato derrotado do PSOL. "Há uma única forma de acabar com o MTST, é gerar seis milhões de casas para as famílias sem teto deste país", disse.
Boulos se referia a falas de Bolsonaro sobre proibir o ativismo, acabar com ONGs e punir a oposição a um eventual governo do PSL.
Um dos discursos mais aplaudidos foi o do padre Julio Lancelotti, que ao lado de representantes de outras seis religiões (evangélica, muçulmana, judaica, budista, espírita e candomblé) chamou Bolsonaro de fascista. "Contra o fascismo, resistência, revolução, insubordinação", disse padre Julio.
O advogado Fabio Toffic, do Instituto de Defesa do Direito de Defesa (IDDD), tentou dar perspectiva histórica à disputa eleitoral dizendo que a candidatura de Haddad e Manuela D'Avila (PCdoB) representa a defesa da Constituição de 1988 (embora o PT tenha proposto a realização de uma Constituinte e depois recuado). Em resposta a Toffic, Haddad pronunciou a segunda palavra mais usada no evento, virada. "A gente está muito honrado (com a fala do advogado) mas a gente quer ganhar a eleição, não quer ser só símbolo de resistência", disse o candidato.
Haddad explorou em seu discurso o vídeo no qual o deputado eleito Eduardo Bolsonaro(PSL-SP) fala em fechar o Supremo Tribunal Federal (STF), e a fala de Bolsonaro de domingo, 21, na qual o candidato do PSL fala em punir adversários e ataca a imprensa, mas principalmente a defesa que o capitão da reserva faz da ditadura militar e personagens como o coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra, considerado um dos maiores torturadores do regime.
O candidato do PT acabou usando palavras parecidas com as que Bolsonaro se referiu à oposição. "Ele é o anti ser humano. É tudo que precisa ser varrido da face da terra", afirmou.

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