Com vantagem próxima à de Dilma em 2010, Bolsonaro não recebe 'cheque em branco', dizem analistas


Jair Bolsonaro (PSL) foi eleito presidente da República neste domingo com 55,13% dos votos válidos, contra 44,87% de Fernando Haddad (PT), em resultado que confirmou a dianteira que o militar reformado mostrava há meses nas pesquisas eleitorais.
A distância entre os dois candidatos, no entanto, diminuiu de 18 para 11 pontos percentuais na última semana, levando-se em conta levantamentos do Datafolha e o resultado das urnas.
A vantagem do eleito é próxima da que experimentou a ex-presidente Dilma Rousseff em 2010, quando disputou o segundo turno com o tucano José Serra: 56% contra 44%.
Segundo cientistas políticos entrevistados pela BBC News Brasil, a maior proximidade entre as votações de Bolsonaro e Haddad tira do presidente eleito do Brasil o "cheque em branco" que uma vitória esmagadora poderia representar e aumenta as pressões sobre ele.

Com um grande número de abstenções, votos brancos e nulos que, somados, chegam a 42 milhões, Bolsonaro viu em sua eleição resultado mais apertado do que Fernando Henrique Cardoso e Lula em seus dois mandatos. Para os entrevistados, sua situação estaria mais próxima à de Dilma, que começou o governo em uma condição menos confortável. 
Vitorioso no primeiro turno em 1994, FHC recebeu 54% dos votos válidos, contra 27% de Lula. Quatro anos depois, o tucano também levou no primeiro turno, com 53% contra 31% de Lula.
No caso do petista, em 2002 ele venceu no segundo turno com 61%, contra 38% de José Serra (PSDB). Na eleição seguinte, ganhou no segundo turno com 60%, contra 39% de Geraldo Alckmin (PSDB).
"Hoje o cenário é de um presidente eleito legitimamente, mas que não tem a força de FHC e Lula. Se juntar votos brancos, nulos e abstenções com os do Haddad, Bolsonaro não tem metade dos votos dos brasileiros. Pelas bobagens que falou durante a campanha e por não ter uma votação tão esplendorosa como imaginava, entra cheio de controles. Está mais parecido com Dilma", diz o professor de ciência política da FGV Fernando Abrucio.
Os professores explicam que a porcentagem de votos e a distância para o segundo colocado representam o prestígio de um candidato perante a opinião pública e interferem na forma como ele é visto. Quanto maior sua votação, mais impulso tem como figura política, mais apoio pode reunir no começo do governo e mais difícil é a oposição a ele.

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