“O tráfico não opera da forma como Marielle foi executada”, diz delegado



Orlando Zaccone, delegado da polícia civil do Rio de Janeiro faz parte de um grupo de policiais civis e militares, suprapartidário, autointitulado “Policiais Antifascismo”, que propõe o debate de uma nova política de segurança, tendo a garantia dos direitos humanos como prioridade. Para ele, a morte de Marielle Franco tem forte conotação política.
O delegado participa do Fórum Social Internacional, em Salvador (BA) e falou com exclusividade para a RFI Brasil.
RFI: O senhor acha que foi uma execução?
Orlando Zaccone: Pelas primeiras informações, a forma como os disparos foram efetuados, como a ação ocorreu, a probabilidade é imensa de ter sido uma execução. Isso abre um campo para o debate político, onde temos dados de que o Brasil é um dos países onde militantes de direitos humanos estão em situação de risco e onde há mais números de homicídios no setor. No caso da Marielle, nós teríamos ainda um aspecto específico. Ela não era uma defensora dos direitos humanos  de gabinete. Ela era uma pessoa, uma mulher negra, com origem na favela da Maré, e ela colocou toda a sua militância, mesmo como parlamentar, dentro das comunidades. Nós aqui do Rio de Janeiro já tínhamos notícias, há pelo menos mais de dois anos, de ameaças constantes a coletivos de jovens que militam pelos direitos humanos dentro das favelas. A execução da vereadora Marielle apresenta um quadro político onde o acirramento da disputa política no Brasil passa pela ideia de que precisamos estender a ordem constitucional e suspender direitos humanos para garantir a governabilidade. Isso é algo que tem sido construído pelo menos desde a década de 90, através do discurso de que direitos humanos atrapalham a segurança pública. Isso associa como inimigos os defensores dos direitos humanos. É bastante provável que essa execução tenha motivação nas atividades desenvolvidas pela vereadora Marielle na luta pelos direitos humanos.

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