Em nova tentativa, governo consegue aprovar urgência para reforma trabalhista

A Câmara dos Deputados aprovou nesta quarta-feira, 19, o regime de urgência para a tramitação da reforma trabalhista. Assim, a proposta deve ir direto a plenário, sem passar pela comissão especial instaurada para discutir o tema. Foram 287 votos a favor e 144 contra. Na véspera,líderes da base propuseram, sem sucesso, o regime de urgência para a tramitação.
Após colocar novamente em votação o pedido de urgência para a reforma trabalhista, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), confrontou-se com a oposição no plenário. Os parlamentares contrários à nova votação fizeram uma questão de ordem, recusada pelo presidente, que também ignorou um recurso apresentado pelos deputados.
Diversos parlamentares da oposição então subiram à mesa de Maia gritando “Golpe, Golpe”, o que deu início a um longo bate-boca, enquanto deputados da base gritavam “Voto, Voto”. Líderes da oposição inclusive ameaçaram ir ao Supremo Tribunal Federal (STF) contra a nova votação pela urgência.
Visivelmente exasperado, Maia culpou a própria oposição pela falta de um acordo para que essa votação ocorresse em 3 de maio. “O PT impediu o acordo. Se o PT não quer votar, não vai 'esculhambar' a votação no plenário. Se a base tiver voto, ganha. Se não tiver, perde”, completa.
Deputados da oposição seguravam cartazes com a frase “Cunha de novo não” em referência à prática do ex-presidente da Casa em refazer votações perdidas. Um requerimento idêntico de urgência para reforma trabalhista foi derrotado ontem no plenário da Câmara, com o apoio de apenas 230 deputados, enquanto 163 votaram contra e apenas um parlamentar se absteve. Sem os 257 votos necessários, o requerimento foi rejeitado. Maia assumiu a culpa por ter encerrado a sessão com quórum insuficiente para aprovar o pedido.
Em discurso, o líder do PT, Carlos Zarattini (SP), fez ataques ao ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, e o acusou de “botar fogo” no País. O petista estendeu os ataques ao relator da reforma trabalhista, Rogério Marinho (PSDB-RN), e disse que seu parecer “é super jabuti” plantado pelo relator.


O deputado afirmou que todas as entidades se manifestaram contra o projeto. As críticas também se voltaram contra o Ministério Público Federal. “Nós nessa Casa não somos o que os procuradores dizem que somos”. Zarattini fez um apelo para que a votação fosse suspensa e que os líderes tomassem uma decisão conjunta. “PT não foge à responsabilidade de discutir cada tema dessa Casa”, afirmou.

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