Corrupção surge de uma vez e não de maneira gradual, oportunidade de ouro, diz estudo
Em um país onde escândalos de corrupção têm se tornado comuns e investigações como a Lava Jato parecem
envolver todas as instâncias políticas, muitos brasileiros
provavelmente se perguntam como um cidadão se transforma em um sujeito
desonesto capaz de cometer tais atos. Cientistas já haviam tentado
solucionar essa questão, mostrando que a mentira e a desonestidade podem
ser estimuladas pela prática e,
gradativamente, pequenos atos se tornam grandes crimes. Um estudo
publicado recentemente, porém, avaliou o comportamento de quase cem
pessoas durante um jogo envolvendo dinheiro virtual e concluiu que,
quando uma boa oportunidade surge repentinamente, somos mais propensos a praticar atos de corrupção.
“Comportamentos antiéticos como a
corrupção nem sempre surgem gradualmente, mas, às vezes, ocorrem de
maneira abrupta, espontânea e inesperada”, afirmou Nils Köbis, da
Universidade Livre de Amsterdã, na Holanda, líder do estudo, em
comunicado. “Especialmente quando as decisões aparecem em rápida
sucessão, as pessoas podem ser relutantes em praticar corrupção
repetidamente e preferir aproveitar os benefícios de formas maiores de
corrupção em um ato único.”
Oportunidade de “ouro”
A teoria mais aceita pelos pesquisadores a
respeito da corrupção é que esse tipo de comportamento se desenvolve
como uma “slippery slope”, expressão do inglês que corresponderia a algo
como “ladeira escorregadia”. Esse termo costuma ser utilizado na área
da psicologia para fazer referência a um pequeno desvio no
comportamento, considerado moralmente aceitável, que começa a ser usado
como desculpa para praticar atos cada vez maiores.
Partindo dessa ideia, Köbis e sua equipe
levantaram a hipótese de que o comportamento corrupto poderia também ser
acionado quando alguém encontra uma “oportunidade de ouro” — que
definiram como uma circunstância única que poderia se converter em
benefícios imediatos. Em outras palavras, uma chance que parece boa
demais para ser desperdiçada. Os pesquisadores decidiram, então, testar
as duas teorias em uma série de quatro estudos.

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