Eleição de líder do PMDB deve afetar destino de Cunha

Maior bancada da Câmara, o PMDB elege seu novo líder nesta quarta-feira. Mais do que o poder de influenciar decisões no Congresso, a escolha deverá ter impacto na definição do futuro da presidente Dilma Rousseff e do presidente da Casa, Eduardo Cunha (PMDB-RJ). No governo, a expectativa é que o novo comandante peemedebista ajude a enterrar de vez o processo de impeachment da presidente, que deve ter seguimento após decisão do Supremo Tribunal Federal (STF).
Os dois nomes que buscam comandar a bancada de 67 deputados são “crias” de Eduardo Cunha, mas hoje atuam em campos opostos. Leonardo Picciani (RJ), atual líder que tenta a recondução, tem a preferência do Palácio do Planalto. Já Hugo Motta (PB) tem a bênção do presidente da Câmara, desafeto do governo, que se empenhou na missão de eleger seu afilhado. Líderes partidários, nos bastidores, avaliam que o vencedor da eleição interna indicará quem – Dilma ou Cunha – começa o ano mais forte.
No governo, a avaliação é de que uma vitória de Picciani representará a maior derrota do presidente da Câmara, que enfrenta pedido de cassação do mandato no Conselho de Ética, devido a seu afinco para dar impulso a Motta. Um interlocutor do Planalto diz acreditar que, caso o candidato de Cunha seja derrotado, fica mais forte a tese de afastamento do presidente da Câmara – o STF deve analisar no próximo mês pedido do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, de que o peemedebista deixe o comando da Casa.
Avaliação semelhante se faz entre os parlamentares. “Se Picciani sacramenta essa vitória, atesta que ele (Cunha) não tem essa força toda”, analisa o líder do PR na Câmara, Maurício Quintella Lessa (AL).

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