Vai a pauta no Congresso contas de ex-presidentes
Pelo regimento, os projetos deveriam ser votados em dois turnos na Câmara, com um intervalo de uma semana entre eles, antes de seguirem para análise do Senado.
A discussão sobre os quatro projetos de decreto legislativo teve início nesta terça e, segundo o presidente da Casa, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), continuará nesta quarta para cumprir a exigência regimental de duas sessões de discussões. Mas a votação será somente na quinta-feira (6).
Com a votação dessas contas pendentes, abre-se caminho para a Câmara apreciar as contas de 2014 do governo da presidente Dilma Rousseff, prestes a serem julgadas pelo Tribunal de Contas da União (TCU).
Um dos itens da pauta são as contas do início do governo Itamar Franco (1992-1994), de 1992, referente aos três meses em que ele assumiu após Fernando Collor sofrer impeachment. O relatório é favorável à aprovação. O projeto é o único que já passou pelo Senado e, se aprovado pelos deputados, será promulgado.
Outro é do último ano do segundo mandato do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (1995-2002). O parecer também é pela aprovação. Essa é a única conta da administração do tucano que falta ser julgada pelo Congresso. Todas as demais foram analisadas e aprovadas, duas com ressalvas.
Os demais processos são dos anos de 2006 e 2008, do governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (2003-2010). Um é pela aprovação das contas e o segundo, pela aprovação com ressalvas. Será a primeira vez que uma conta da gestão Lula passará pelo crivo do Congresso. Nenhuma do governo Dilma ainda foi analisada.
Senadora quer votação no Congresso
A senadora Rose de Freitas (PMDB-ES), presidente da Comissão Mista de Orçamento (CMO), defendeu nesta terça-feira que a votação das contas pelos parlamentares seja feita em sessão conjunta do Congresso, conforme previsto na Constituição.
O entendimento diverge do adotado pelo presidente da Câmara, Eduardo Cunha, que avalia que as votações devem ser feitas separadamente – primeiramente na Câmara, depois no Senado.
Ela afirmou que após os relatores apresentarem pareceres sobre as contas de governo na CMO, ela vai enviá-los à Mesa do Congresso, e não à da Câmara.
Rose de Freitas informou que já encomendou pareceres à assessoria legislativa e que vai encaminhá-los aos presidentes Renan Calheiros e Cunha.
A senadora disse ainda, que caso o presidente da Câmara mantenha seu posicionamento, vai entrar com uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (Adin) no Supremo Tribunal Federal.
“Pedaladas fiscais”
Órgão auxiliar do Legislativo na fiscalização do Executivo, o TCU deve julgar em breve as chamadas “pedaladas fiscais” – os atrasos em 2014 de repasses do Tesouro Nacional a bancos públicos para pagamento de programas sociais, como o Bolsa Família, configuraram violação à Lei de Responsabilidade Fiscal.
Instituições como a Caixa Econômica e o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico (BNDES) tiveram que desembolsar das próprias reservas dinheiro para custear os benefícios federais, numa espécie de “empréstimo” ao governo.
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