Eduardo Cunha se diz inocente

Após ter sido denunciado ao Supremo Tribunal Federal (STF) por suposta participação no esquema de corrupção da Petrobras, o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ) afirmou nesta quinta-feira (20), por meio de nota, que é “inocente” e que foi “escolhido” para ser alvo de investigação.

Janot apresentou nesta quinta denúncias contra Cunha e contra o senador Fernando Collor de Mello (PTB-AL) por suposto envolvimento no esquema de corrupção na Petrobras investigado pela Operação Lava Jato. Nas denúncias, o procurador-geral pede a condenação dos dois sob a acusação de terem cometidos crimes de corrupção e lavagem de dinheiro.

“Estou absolutamente sereno e refuto com veemência todas as ilações constantes da peça do procurador-geral. Sou inocente e com essa denúncia me sinto aliviado, já que agora o assunto passa para o Poder Judiciário”, diz a nota.

De acordo com a Procuradoria, Cunha e Collor receberam propina de contratos firmados entre a Petrobras e fornecedores da estatal. Ambos os parlamentares negam as acusações. Na denúncia contra Eduardo Cunha, a Procuradoria também pede que ele devolva US$ 80 milhões – US$ 40 milhões como restituição de valores supostamente desviados e mais US$ 40 milhões por reparação de danos. A PGR estima essa quantia em R$ 277,36 milhões, pela cotação atual.

Na nota divulgada à imprensa, o presidente da Câmara voltou a atacar Janot e o Planalto ao dizer os dois se articularam para incriminá-lo no esquema investigado pela Operação Lava Jato. Para Cunha, a decisão da presidente Dilma Rousseff de reconduzir Janot ao cargo de comando do Ministério Público Federal por mais dois anos é uma “tentativa de calar e retaliar” sua atuação política.

O presidente da Câmara disse ainda achar “estranho” não ver denúncia contra integrantes do PT e do governo. “À evidência de que essa série de escândalos foi patrocinada pelo PT e seu governo não seria possível retirar do colo deles e tampouco colocar no colo de quem sempre contestou o PT, os inúmeros ilícitos praticados na Petrobras.”

Cunha não quis falar com a imprensa ao deixar a Câmara, às 20h40 desta quinta. "Eu já falei pela nota", disse o presidente da Câmara repetidas vezes até alcançar o carro oficial.

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