Ex-prefeito de Campos Sales é preso junto com filho pela Polícia Federal
Sete pessoas foram presas na tarde desta terça-feira
(17), em cumprimento a mandados de prisão temporária, conduções
coercitivas e mandados de busca e apreensão, determinados pela Justiça Federal, da cidade de Juazeiro do Norte. As prisões aconteceram nos municípios de Campos Sales e Tauá,
durante a deflagração da Operação Christianópolis, realizada pela
Polícia Federal (PF), em parceria com o Ministério Público Federal
(MPF), cujo objetivo é apurar fraudes em processos licitatórios, com
rodízio de empresas vencedoras e desvio de verbas públicas federais
provenientes do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE).
Entre os presos estavam o ex-prefeito do município de Campos Sales, Paulo Ney Martins, e seu filho, Cristian Aguiar Macedo,
além de dois ex-secretários municipais. Todos são acusados de
participarem de esquema fraudulento que teria resultado no desvio de cerca de R$ 1,4 milhão do FNDE.
O recurso, que seria utilizado na construção de uma escola com
capacidade para até oito salas de aula, conforme as investigações,
acabou servindo para construção de um condomínio de luxo naquele
município.
Cerca de 50 policiais participaram da operação, cujo
as investigações tiveram inicio em fevereiro do ano passado, a partir de
uma denúncia realizada pelo presidente da Câmara de Vereadores de
Campos Sales, informando sobre a realização de um convênio na ordem de R$ 2,8 milhões. Conforme a denúncia, 50% do recurso havia sido liberado pelo FNDE e, deste percentual, foi realizado o pagamento de R$ 400 mil a empresa responsável pela obra sem que o trabalho tivesse sido realizado.
“As investigações constataram que os recursos do convênio foram
movimentados, que a conta foi totalmente zerada e que a parte executada
da obra não corresponde aos pagamentos efetuados”, informou a delegada
de Policia Federal Josefa Lourenço, que preside as investigações.
Segundo ela, o trabalho da PF em relação ao caso ainda está em andamento
e a operação foi realizada, principalmente para o recolhimento de
material de prova. A operação foi pra robustecer as investigações já
realizadas”, disse.
O procurador da República Celso Leal, que acompanha as investigações da
PF, avaliou que o trabalho está bastante avançado e que já há fortes
indícios de desvio de recursos da União realizados pelos acusados. “Já
há indícios de que houve a utilização indevida deste s recursos, bem
como a transferência dos recursos da conta do convenio para outras
contas e de que a obra de construção da escola não foi, efetivamente,
realizada. Paralelamente, a Polícia Federal conseguiu
apurar indícios de lavagem de dinheiro, através da construção de um
empreendimento mobiliário como forma de dar uma aparência licita ao
dinheiro. Boa parte destes imóveis está bloqueada judicialmente, bem
como foi garantido, por determinação judicial, o bloqueio de alguns
valores, e esperamos que todo o recurso desviado seja recuperado”, disse
o procurador.
O procurador informou, ainda, que os acusados deverão responder pelos
crimes de fraude licitatória, associação criminosa, falsificação de
documentos, apropriação indébita e lavagem de dinheiro.
Todas as pessoas presas foram liberadas após prestarem depoimento na
sede da Superintendência da Polícia Federal, em Juazeiro do Norte. A
reportagem tentou ouvir o ex-prefeito de Campos Sales, Paulo Ney
Martins, no momento em que ele deixava a sede da PF. O ex-gestor, no
entanto, se recusou a falar com os jornalistas.

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