Negócio tá pegando no tricolor paulista
Para
entender essa confusão política, é preciso voltar a abril, quando foram realizadas as
eleições do clube. Sem ter um homem de confiança para ser seu sucessor, Juvenal foi
atrás de Carlos Miguel Aidar, que foi eleito com muita
facilidade, já que Kalil Rocha Abdalla, da oposição, desistiu
no dia da disputa, alegando que a situação estava armando um golpe para aprovar
a obra da cobertura do estádio do Morumbi no dia da eleição.
Aidar
descobriu, por exemplo, que todos os diretores do São Paulo tinham carro com
motorista à disposição. Então, ordenou que todos os veículos fossem vendidos.
O ônibus com as cores do clube também foi negociado. Além disso, muitos
conselheiros viajavam para todos os jogos longe da capital paulista, sempre
bancados pelo clube. Tudo foi cortado.
O presidente foi ao limite em uma entrevista ao jornal Folha de São Paulo,
divulgada na semana passada. Disse que o clube parou no tempo, que Juvenal
havia deixado uma dívida de R$ 131 milhões, entre outras coisas. O ex-dirigente
se pronunciou através de uma nota oficial, lamentando a postura de Aidar e se
defendendo, dizendo que deixou o clube em boas condições e acusando o ex-aliado de oportunista.
Para
Aidar,
essa carta foi a gota d´água. Ele já estava cansado do modo como
Juvenal administrava Cotia, sem dar satisfações. Primeiro, resolveu
mexer nos homens de confiança do ex-dirigente no CT da base. Depois,
marcou uma
reunião na tarde desta segunda-feira, quando anunciou o desligamento.
Houve
bate-boca entre os dois, mas Aidar se manteve firme. Para evitar
constrangimentos
maiores, divulgou apenas uma nota oficial. Procurado pela reportagem,
Aidar afirmou que não daria entrevistas por enquanto.
Novos
capítulos deverão ocorrer nos próximos dias.
Aidar quer tirar do clube todas as
pessoas ligadas a Juvenal. Quando decidiu pelos cortes para diminuir a folha de
pagamento, a primeira a cair foi a gerente de comunicação, que havia sido
contratado pelo ex-dirigente. Outros diretores podem ser dispensados. João
Paulo Juvêncio, neto de Juvenal e que trabalhava como diretor financeiro
adjunto, pediu demissão na semana passada.
Veja a carta em que Aidar comunica a saída do seu antecessor.
Confira:
"Comunico
o fim da colaboração do Dr. Juvenal Juvêncio na diretoria por mim
presidida. São Paulo Futebol Clube reconhece a importante contribuição
que Juvenal sempre deu ao clube, primeiro como diretor, depois como
presidente e por último como diretor novamente.Neste momento em que o São Paulo Futebol Clube trilha novos caminhos, agradeço pessoalmente o empenho de Juvenal durante tantos anos e presto minha homenagem a esse grande são-paulino.
Carlos Miguel C. Aidar.
Presidente
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